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Outono

O bom do outono é comer bergamota recém colhida no solzinho do meio-dia. Sentir o cheiro cítrico do fruto amarelo. Cuspir as sementes sentado na grama. Com o sol bem na cara. E o cheiro do frio nas mãos.

Boneca de pano

Sou feita de pedaços Que já foram de outros. De cores, e estampas diferentes entre si. Meus pés são azuis, de algodão azul. Com bolas brancas. Minhas mãos, seda vermelha. O corpo, diversos pedaços que vêm de muitos lugares. A cabeça, algodão rosa com flores miúdas e brancas (já foi um vestido rodado). Os olhos, botões grandes que restaram de velhas reformas. Os cabelos, lãs de muitas cores. E o corpo, muitos pedaços. Herdados de muitos outros. Em cada um, uma memória. Em cada um, uma saudade. Eu sou feita de muitos. Que estão todos aqui. Sendo levados e sentidos. Retalhos que me constróem.

Saber Viver

Não sei... Se a vida é curta Ou longa demais pra nós, Mas sei que nada do que vivemos Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: Colo que acolhe, Braço que envolve, Palavra que conforta, Silêncio que respeita, Alegria que contagia, Lágrima que corre, Olhar que acaricia, Desejo que sacia, Amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, É o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela Não seja nem curta, Nem longa demais, Mas que seja intensa, Verdadeira, pura... Enquanto durar (Cora Coralina) Lindo.

Luto

Toda vida tem um fim. Sem exceções, todos morremos, um dia. Breve ou daqui a muito tempo. Mas morremos. Há quem diga, e eu até considero coerente, que o que diferencia o homem dos outros seres vivos é a certeza de sua finitude (e não me venham com essa de que o homem é o único ser vivo que "pensa"). E, talvez seja por isso, metemos os pés pelas mãos durante a vida toda. É o fato de querer fazer tudo agora - já que, sabe-se lá, podemos morrer nos próximos dez minutos - que nos impulsiona a não ter paciência, a não querer esperar "as coisas se ajeitarem"? Claro que isso não se aplica a todos - e, em grande parte das situações, nem a mim. Sei que não se é sempre assim impaciente, o que me parece triste até. Viver aos pouquinhos, pensar só em passar um dia depois do outro, do outro, do outro... Sem crescer em nada, sem mudar nada, sem ganhar nada. Ganhar dinheiro pra comer, comprar roupa, pagar aluguel, luz, telefone, internet, abastecer o carro, comprar uma TV nova, tr...

Novo

O novo. Até parece uma pessoinha orelhuda de olhos redondos espiando a gente. Espiando, e fazendo careta às vezes. Que nem irmão mais novo, que sai de trás da porta dizendo: BU! Os olhos arregalados do novo deixam transparecer a curiosidade do novo. Embora, em alguns casos, o arregalado seja medo ou susto. O novo é um menino levado, e com um imenso brilho nos olhos.

Abandono

Abandonei este blog. Há quase um ano foi o último post, embora bastante coisa tenha sido escrita em cadernos velhos e papéis de pão nesse tempo. Quero voltar. de verdade. espero muito sinceramente que esse não seja um suspiro, um ânimo intenso e breve, porque escrever, mesmo que pouco lida, sempre foi um exercício de desabafo, do qual fica difícil abrir mão. nos papéis velhos também, mas estes se perdem muito fácil, e reler, bem depois, ajuda a entender de que maneira meu coraçãozinho e meus pensamentos se comportavam em cada dia posto em frases. Na verdade, meu exercício criativo anda meio abandonado em vários sentidos. é vergonhoso, eu sei, justo agora que não existe mais a obrigação acadêmica e a exigência de fazer tudo em seis meses. O meu problema, talvez, tenha sido ficar muito mal-acostumada, e trabalhar só sob pressão. mas, e agora, sem pressão, o que se faz? Voltei pra minha cidade natal. temporariamente, faço questão de frisar a todo tempo. não posso e não quero estacionar ne...

Assim?

Hoje, o corpo; o choro; a dor; a dança. Amanhã, a cor; as mãos; a cama; o beijo; o sorriso. Depois, o sono, o medo, o torpor, ócio. Ócio, Ócio. Cio. Não! Não. Isolamento. Assexualidade. Ócio. Ódio . Auto-punição. Corpo, sono. Sono. Sono. S...

Layout quase bonitinho

Hum, depois de muuuitas experimentações, aos poucos tô aprendendo a brincar com esse layout. Me aguarde. . A foto: bobagem de quem não tem o que fazer. . A propósito, vai um chá de maçã aí?

Agrado...

Agrado... . . . A Fuchsia Hibrida é uma flor originária da América do Sul. É flor-símbolo do Rio Grande do Sul, onde é conhecida como "Brinco-de-princesa". Outros de seus nomes populares são Fúcsia, Agrado, Lágrima. Possui muitas variedades, sendo que tanto pétalas, quanto sépalas podem ser de cores e de formas diferentes. As cores mais comuns são vermelho, rosa, azul, violeta e branco, com diversas combinações, sem mesclas. A ramagem é pendente, mas pode haver variações, com plantas mais eretas e outras mais pendentes. Para ficar sempre bonito, o brinco de princesa requer boa iluminação, de preferência sob luz difusa ou meia-sombra, no entanto muitas variedades vão bem sob sol pleno. Mas um detalhe é unanime, as fúcsias apreciam o frio e portanto deve-se dar preferência para o cultivo no sul do país e nas regiões serranas. O substrato deve ser bem fértil, enriquecido com humus e composto orgânico. A propagação pode ser por sementes ou por estacas. . . . Nome Científico: Fuch...

Pseudo-epitáfio de quase-sono.

Eu queria escrever um poema bem bonito. Não, talvez uma letra de música pra quando eu aprendesse de verdade a tocar violão. Eu pretendia, juro, escrever uma carta, um conto, uma crônica. Sério! Eu ia publicar um livro. Ou gravar um disco. Já sei, fazer um filme. Um curta, com diálogos fluidos, sacadas inteligentes e personagens descolados e interessantes. Ia costurar minhas próprias roupas, cortar meu próprio cabelo, acordar muito cedo pra ver a luz de quando o sol nasce, passear no parque e subir nas árvores, aprender muitas muitas muitas coisas. Ia comer sorvete no inverno emboladinha embaixo de muitos cobertores e roçando os pés nas pernas de alguém bem especial. Andar despreocupada na chuva de tardes de calor, jogar fora porcarias inúteis e ficar somente com velharias charmosas. Eu ia fazer tantas coisas, dançar tantas músicas, ir a tantos lugares, provar tantos gostos cheiros texturas. Ia dizer um milhão de palavras bonitas dentro de ouvidos. Ia dar muitos beijos e abraços e mexid...
Metade (Oswaldo Montenegro) Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca pois metade de mim é o que eu grito mas a outra metade é silêncio. Que a música que ouço ao longe seja linda ainda que tristeza que a mulher que eu amo seja pra sempre amada mesmo que distante porque metade de mim é partida mas a outra metade é saudade. Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento porque metade de mim é o que ouço mas a outra metade é o que calo Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada porque metade de mim é o que penso e a outra metade um vulcão. Que o medo da solidão se afaste que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que me l...

Leiauti toscoooo

Assim ó: Cansei daquele pseudolayout pretão... como não sei publicar layouts personalizados - aquela coisa, blogs bonitinhos, com fotinhos criativas e deseinhos legais - troco por esse aqui, modelo pronto do blogger. Ao menos por enquanto. Vou tentar descobrir como deixar ele mais bonito logologo.

Coisinhas chatinhas e pessoinhas imbecis

Talvez seja pela TPM, talvez seja pelas circunstâncias, talvez seja pelo auto-acusamento de burrice. Dormi à tarde nesse feriado de quinta-feira e acordei com o espírito-de-porco mais desagradável possível. Mas agora, depois de diversos Stumble Upon e leiturinhas inúteis em orkuts e sites bobos, recuperei a normalidade das minhas percepções e dos meus sentidos, e meus pés voltaram definitivamente pro chão. Nunca usei - e não passarei a usar - o presente blog pra falar da minha vidinha, mesmo porque acho que os meus problemas - e coisas legais também, lógico - são meus e ninguém tem nada a ver com isso. Mas hoje, só hoje, dou-me o direito de falar aqui, que sei que será lido por... hmm... talvez uma ou duas pessoas além de mim, se der sorte. Mas isso não importa. Audiência de fato não é um dos meus objetivos. Desabafo sim. É impressionante a maneira como meus olhos ficam enevoados às vezes. Aí vem tristeza, choro, desânimo, silêncio, angústia. Mas, geralmente, talvez seja sorte, não sei...
Medo cedo do dia. Via, rua, movimento, atropelamento. Vento. Esquecimento. Sofrimento. Arrependimento, consequência. Vivência, inteligência, violência, violência. Do mundo, da sociedade, da realidade, do destino. Da vida. Lida. Canseira. Brincadeira, brincadeira boba. Assalto, sol alto. Fogo. Água. Mágoa. Tristeza, solidão. Desilusão. Repetição. Rotina, mudança, diferente. Gente. Bicho. Criatura imaginária. Imaginação, loucura. Altura, futuro, casamento, amor, ódio. Separação. Procura. Desemprego. Fome. Medo. Do escuro. Da noite. Da morte. Do homem. Do medo. . . Achei esse poema que tinha escrito quando ainda tava no 2º ano do Ensino Médio. Tirando o patético título original "os medos que se tem" (ai) gosto dele até hoje, então vou deixar sem título mesmo, ao menos por enquanto. Eu escrevia direitinho na época de colégio, acho que emburreci na faculdade.

Talvez....

Talvez ela tivesse perdido um pouco aquela imensa vontade que tinha de crescer. Fazia inúmeros planos, corria atrás de todas as maneiras possíveis para torná-los mais próximos da realidade, mas talvez ela estivesse esgotada e cansada de ir adiante só aparentemente, e na verdade estar parada, estacionada na mesma esquina desde sempre. Talvez ela não tivesse até então a consciência de que aquilo tudo pouco valia, àquela altura, porque ela era a mesma menina que jogava bola na rua e voltava pra casa só depois do anoitecer, com a cara suja de terra. Talvez seus objetivos e sua postura de mulher-adulta-responsável-e-independente fossem a melhor maneira de esconder que ela só queria ainda ser pequena, ir pra casa tomar um banho pra lavar a terra da face e dormir brincando de descobrir personagens ocultos nas sombras que a noite lhe oferecia como companhia. E sonhar daquele mesmo jeito de quando ainda não sabia nada do mundo, e sua ingenuidade e curiosidade infantis a entregavam a cada dia su...

À noite...

Ela andava bem cansada... Cansada de querer sentido pra tudo, de buscar de forma ineficiente as respostas pro milhão de dúvidas que não saíam de sua frente, nem por um segundo. Há um tempo, estava muito próxima de desistir de uma vida diurna e produtiva. Somente a noite lhe fazia bem. Só a rua lhe distraía - bem pouco, de qualquer forma - da indigestão e da garganta apertada por "não-sei-o-quê". Se saía das pequeninas frações de tempo em que conseguia esquecer, ia para a nauseante busca pela consciência - algo que ela quis, buscou, esforçou-se muito pra conseguir, até há um certo tempo - e perdia-se e perturbava-se e estranhava-se e por muito pouco enjoava até que a boca do estômago apertasse tanto até quase sufocar. A urgência por uma reação a estapeava a toda hora, lhe agarrava e apertava a face, a sacudia e a exigia que olhasse pra frente, pros lados, pra todos os cantos, pra que enxergasse algo além de sua angústia. O tempo manteria-se implacável e móvel, não a esperaria ...
Há olhares mornos, doces, tristes, cansados... Que lírica, pura, mansamente... Instigam, provocam, tocam, chamam. Olhares de quem é só. Solitariamente retratado. Olhares cuja luz procura alguma compreensão, alguma cumplicidade, alguns outros olhares que mostrem algo melhor pra se desejar. Há mãos e pele cujo tempo castigou e imprimiu seus sulcos, ainda mais razão pra tais olhares Olhares sós e verdadeiros, doloridos ou esperançosos... Pode haver dor, Pode haver dúvida, Pode haver medo, Mas, ainda há uma busca, Junto a um constante desconforto, há a constante necessidade de criar. Se, assim, houver uma maneira de se fazer ver e compreender o olhar que mantém-se escondido, esta maneira se mostra a forma, a pincelada que dá a luz àqueles olhares. E abre a alma de quem às vezes se perde Mas procura se reencontrar E reencontrar sua tênue estrada Andando e buscando solitariamente através do belo caminho das cores. Escrevi isso pro trabalho de pintura da Carina, uma amiga querida e que tem um...
Está tão frio aqui, meu querido... Fique comigo, e eu ficarei bem. nós, escondidos, perdidos no país das maravilhas Abraçados por um perfume doce e pelas cores de nossos desejos. Enquanto nos buscam aqui fora ou não - a quem faríamos falta? Estaríamos pequeninos e protegidos encolhidos, no buraco da fechadura. Falando de segredos e de pequenas confissões, Lembrando as sutis maneiras de buscar um ao outro. Envolvidos nos abraços e nos colos e nos olhos e nas almas ficaríamos, finalmente, sós.
O corpo que foge é finalmente livre, se expande vem da escuridão para a luz com a descoberta de seus próprios invólucros esses, complicado e estranhos rompendo os lacres, dando o próximo passo, um de cada vez, para conhecer a própria alma... Antigo. Outro feito pra uma gravura. Gosto desse.

Mais uma vez...

A cada novo segundo em que apareces Vens com mais força e, como sempre, sem pedir licença nem explicar porque estás aqui Não és bem-vindo, sabes disso E mesmo assim insistes Em entrar e deixar a porta escancarada Pra que tudo que for possível entre ou saia, o que é muito mais provável. Deixar-me vulnerável, isso é o que queres? Se buscas aliar-se a mim, por que tentas me destruir? Esperas que eu te aceite? Te assimile? Te incentive? Te cubra de carinho? Certamente, não é o que terás Não gosto de ti não és bom pra mim. Só o que podes conseguir é me fazer perder o rumo. E eu, definitivamente, já cansei de me concentrar tanto pra permanecer nele, não deveria ser preciso. Por que existes, afinal? Não faria a menor falta.