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Tinha tanto medo de solidão
que nem espantava as moscas
(Mia Couto)
(Isso nao é meu, mas eu queria que fosse)
nada de mais, só a briga com o sono disfarçada de insônia
Tinha tanto medo de solidão
que nem espantava as moscas
(Mia Couto)
(Isso nao é meu, mas eu queria que fosse)
Escapado de
Ataisa Antonia
às
1:21 AM
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Marcadores: coração, texto rápido
Que o ano que se inicia seja infinitamente melhor que este que termina. E que essa mudança não seja promovida pelos deuses, ou pelos astros, mas por cada um de nós.
Que nós possamos seguir em frente sem permanecer acorrentados a erros passados.
Que nosso amor próprio não seja tão pequeno a ponto de permitir que nos esqueçamos de nós mesmos. Mas, que não seja tão inflado a ponto de não nos permitir o aprendizado com nosso sofrimento.
Que o encantamento infantil não abandone nosso olhar - se não houver mais tempo, então, que retorne ao nosso coração.
Que sejamos capazes de perdoar, acolher, orientar e compreender.
Que percebamos em cada ser vivo a essência divina existente em tudo e em todos.
Que fiquemos gratos e surpresos a cada despertar, por cada novo dia, pouco importando se esse é de calor, gelado ou chuvoso.
Que não nos esqueçamos um dia sequer de quem somos, e de que somos pequenos.
Que façamos nosso trabalho como um artista: com paixão e criatividade.
Que a cada dia possamos demonstrar, àqueles que são importantes, o quanto o são.
Que mantenhamos a consciência do quanto precisamos caminhar e crescer, constantemente.
Que nossos olhos não enganem nosso coração, e que nosso coração mantenha-se corajoso e terno.
Que nos entreguemos a nossos amores e a nossas tarefas sem medo e com verdade, sem perder a clareza e a serenidade.
Que consigamos enxergar a beleza das pequenas coisas - e também das não tão pequenas - e de todas as pessoas, independente do que nossa visão encontrar.
E, enfim, que cheguemos a outros novos inícios com mais força, mais amor, mais consciência, mais liberdade das grades que aprisionam nossa essência.
Escapado de
Ataisa Antonia
às
9:57 PM
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Marcadores: vida
Eu quero dizer, não sei o que
Tem coisas demais aqui querendo sair, são tantas que uma impede a outra de passar pela porta
Desorganizadas, essas coisas todas não saem
e ficam, presas, fugindo aos poucos pelas janelas
e delas não sobra nem vestígio
nem uma mancha na parede de um dedo sujo de tinta
pra se reconhecer uma impressão digital
nem uma sombra ou um rastro de terra seca solta da sola do sapato
nem um cheiro
nada.
Por isso que quero dizer tanta coisa
e digo muitos silêncios.
Escapado de
Ataisa Antonia
às
4:12 AM
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Marcadores: Inquietude
Eu já vivi em um mundo que me esqueceu. Se não, quero que esqueça.
No mundo em que eu vivi, as pessoas são só brinquedos que perdem a graça em poucos dias, ou horas, e em seguida são deixadas de lado e esquecidas. Ainda bem. Prefiro desaparecer desse mundo e ser como se não tivesse havido.
Minha cor e meu olhar desapareceram.
Meus movimentos desapareceram.
Até minha voz tornou-se nem memória.
O mundo que me esqueceu não mais é pra lembrar de mim. Melhor que me esqueça, embora eu não consiga esquece-lo.
Não há mundo descartavel e inesquecivel como aquele mundo em que vivi.
Vivi pouco nesse mundo, mas o bastante pra querer ser esquecida, apesar dele permanecer sempre lembrado.
Que o mundo em que eu vivi me esqueça. Que não me reconheça. Que não tome conhecimento de mim.
Só, do mundo em que eu vivi, quero só que a arte não me abandone, nem me esqueça, nem me deixe de lado, nem escape da minha memória.
A cor, o olhar, o movimento, a voz, a palavra que a arte me deu não podem esquecer de mim.
Escapado de
Ataisa Antonia
às
4:00 AM
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Tenho ainda muitos tijolos a empilhar,
incontáveis passos pra andar,
extensos caminhos a percorrer.
Tenho ainda muitos muros a derrubar,
inimagináveis vôos,
Inúmeros trajetos.
Tenho ainda montes de eus pra descobrir,
todos pra vencer,
Milhares de bons pedaços de mim,
Atrapalhados,
Desequilibrados,
Desrespeitados,
Em algum lugar.
Escapado de
Ataisa Antonia
às
9:59 PM
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Os dedos são dez
nas mãos
mais dez nos pés.
Dois pés, dois joelhos, dois ouvidos.
Dois metros quadrados de pele,
cinco milhões de pelos.
Noventa e sete mil
quilômetros de veias
artérias, vasos.
Uma boca, trinta e dois dentes.
E fome.
Dois olhos, milhões de lágrimas.
Um coração,
cento e dez mil batidas
em vinte e quatro horas.
Ou mais.
Centenas de constelações.
Ou milhares
de sardas.
Dezessete mil litros de ar
em um dia.
E ainda assim
tanto de falta de fôlego.
Escapado de
Ataisa Antonia
às
12:01 AM
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Marcadores: boniteza, texto rápido
Escapado de
Ataisa Antonia
às
1:20 PM
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Marcadores: cansaço, citação, coração, texto rápido
Um pouco de Ametista do Sul, pra quem não conhece.
Escapado de
Ataisa Antonia
às
12:42 AM
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Marcadores: vida